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A segunda sessão do Ciclo de Debates será no dia 16 de abril, com o título "Autoritarismo, Democracia e Poder Judiciário no Brasil". Como convidados, teremos a Professora Associada de Direito Penal da Faculdade Nacional de Direito (FND/UFRJ) Luciana Boiteux e o Professor de Direitos Humanos e Relações Internacionais do curso de Relações Internacionais da UFRJ, Elídio Marques. O evento terá início às 13h30m no Auditório C1 do Prédio da Faculdade de Letras. 

 

“Somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra”. Essa frase, sentenciada logo no primeiro parágrafo de Raízes do Brasil, publicado em 1936, parece ter retomado todo o seu efeito original oitenta anos depois, no Brasil do golpe de 2016. Desde então, convivemos com a incômoda sensação de impotência face à celeridade com que falácias, canetadas, votações no Congresso Nacional e atentados contra a vida de atores da vida política brasileira dão andamento ao golpe, ou seja, à destruição de um Brasil reerguido, lentamente, e não sem muitas dificuldades, desde a Constituição de 1988.

Raízes do Golpe, tema proposto para este Ciclo de Debates, visa chegar à raíz de um problema: identificar e situar não só forças contrárias à luta pela construção de um Estado Democrático de Direito mas sobretudo aquelas que se impõem à luta contra a destruição da democracia e do que nos foi possível erigir, com ela, até aqui. Desde a Constituição de 1988, direitos territoriais e participativos tornaram-se garantidos por lei. Ações políticas conhecidas no cenário brasileiro, como “clientelismo”, “populismo” e outros “ismos”, propiciaram a legitimação popular do golpe através do voto depositado à parlamentares e seus partidos em retribuição pelas “benesses” feitas, aqui e ali, em campos e cidades, não raro sob a invocação de santos nomes. Os agentes do assalto de hoje, beneficiando-se de esquemas de offshore, conglomerados de mídia e de um bem estruturado poder encastrado no sistema jurídico e parlamentar, parecem os mesmos de antes. Bacharéis ferozes, proclamam austeridade e esperam um povo servil para o estabelecimento daquilo que chamam ordem e progresso.

O Ciclo de Debates Raízes do Golpe tem sua origem nos trabalhos reunidos na Semana PUR 2017 e se inscreve no rol de atividades sobre o golpe, promovidas nas universidades públicas brasileiras nesse início de 2018, quando da tentativa de censura da disciplina sobre o golpe parlamentar de 2016, na Universidade de Brasília. As sessões acontecerão uma vez por mês, às segundas-feiras, com palestrantes convidados e serão organizadas e conduzidas pelos laboratórios e grupos de pesquisa e extensão do IPPUR, abordando temas atuais em 10 sessões previstas ao longo de 2018.

 

 

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