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                                               Prof. Hermes Magalhães Tavares

 

O engajamento profissional e intelectual do Professor Hermes Magalhães Tavares, falecido no último 13 de setembro, revela seu compromisso com a produção do conhecimento para a transformação social. Sua trajetória foi dedicada à compreensão do Estado, das relações de poder, da superação da pobreza e do subdesenvolvimento.

 Deixa como legado ao IPPUR e ao campo do Planejamento Urbano e Regional, a vasta produção acadêmica, o exemplo como Docente e a generosidade na caminhada do conhecimento, o que inspira as novas gerações de pesquisadores, docentes e colegas.

 

TRAJETÓRIA

Natural da Bahia, Hermes é de uma geração engajada na superação da pobreza, da doença, do analfabetismo e da fome vigente de longa data nas sociedades latino- americanas e, em especial, no nordeste brasileiro.

No início dos anos 1960 já trabalhando na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), fez o concorrido o Curso de Especialização em Problemas de Desenvolvimento ministrado na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

As ideias estruturalistas cepalinas e a perspectiva do planejamento econômico via Estado marcariam sua trajetória profissional - fez parte da equipe que definiu os polos de desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) - e acadêmica.

Após alguns anos trabalhando no Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM), o professor Hermes ingressou na UFRJ em 1978. Dedicado professor nas diversas disciplinas da pós-graduação, em meados dos anos 1990 assumiu a direção do Instituto, sem, no entanto, deixar de lado uma das suas paixões: a de trabalhar, enquanto editor ou não, na produção dos Cadernos IPPUR.

Hermes orientou um grande número de trabalhos de conclusão de curso (monografias, dissertações e teses) e deixa um legado extraordinário sobre as experiências de planejamento referidas ao Brasil cotejadas com experiências verificadas nos países desenvolvidos, em particular as francesas.

Ele se coloca no rol dos (grandes) autores preocupados e contributivos com a Questão Regional Brasileira. Nessa sua longa e fecunda trajetória nunca lhe escapou a entrada em cena de temas novos ou revestidos de supostas novidades, como os dos arranjos produtivos locais e os impactos territoriais das políticas públicas.

 

PRODUÇÃO INTELECTUAL

Doutorou-se em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (1989), realizou a "maitrise" em Desenvolvimento Econômico e Social da América Latina pela Université de Paris III (1967) e a Graduação em Administração Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública (1962).

Orientado pelo Professor Carlos Lessa, desenvolveu a tese intitulada “Uma experiência de planejamento regional: o Nordeste Brasileiro", defendida em 1989 na Unicamp (Disponível em http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/285744).

Com relação às recentes publicações, destacamos o Dossiê “A macrorregião Nordeste e os modelos de planejamento e desenvolvimento regional”, disponível na Revista Política e Planejamento Regional (http://www.revistappr.com.br/artigos/extra/563e2d9320dc7.pdf); o artigo "Desenvolvimento e Dinâmica Regional em Celso Furtado", publicado na Revista de Políticas  Públicas (http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rppublica/article/viewFile/1181/935); e a publicação “Estratégias de desenvolvimento regional. Da grande indústria ao Arranjo produtivo Local", disponível Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional (https://www.rbgdr.net/revista/index.php/rbgdr/article/view/358).

Ressalta-se ainda a contribuição do Professor Hermes a outras instituições com vistas à consolidação de novos cursos, a exemplo do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica na Universidade Estadual de Campina Grande (UEPB) com o apoio do IPPUR; e sua atuação como Coordenador do Projeto de Intercâmbio Acadêmico UFRJ/IPPUR e Universidade Nacional de Rio Cuarto, na Argentina, entre os anos de 2012 e 2015.

Além da profícua atividade intelectual, o prof. Hermes Tavares foi Diretor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (1996-1997) e Diretor da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (1993-1995). Mais recentemente, teve importante papel na criação da Revista Política e Planejamento Regional (RPPR), ao lado do Professor Rainer Randolph (IPPUR/UFRJ), como membro da Comissão Editorial da RPPR (http://www.revistappr.com.br/conteudo.php?m=MjE=).

 

DEPOIMENTOS SOBRE HERMES TAVARES

 

Prof. Luiz Cezar de Queiroz Ribeiro

Conheci Hermes antes de entrarmos no então PUR em algum momento dos ainda anos de chumbo. Éramos técnicos do então Instituto Brasileiro de Administração Pública (IBAM). Hermes tinha o ethos do desenvolvimentismo adquirido em sua experiência de trabalho anterior na SUDENE, traço do seu pensamento mantido em toda a sua íntegra trajetória profissional e acadêmica. Nos ajudou muito com as suas pesquisas e aulas na formação do nosso pensamento sobre a questão regional brasileira. Hermes foi também um aguerrido militante da construção institucional do que hoje conhecemos como IPPUR, aceitando como outros um longo período de vulnerabilidade profissional em nome da construção deste exitoso projeto acadêmico. Hermes foi igualmente um hábil apaziguador de conflitos, com a sua fala mansa de nordestino, seu olhar sempre acolhedor e sua coerente atitude de recusa da disputa de poder pelo poder. Como antigos e novos colegas e amigos, devemos todos um grande tributo em agradecimento ao Hermes Tavares. Obrigado Hermes.

 

Profª. Tamara Tania Cohen Egler

Perdemos um amigo, Hermes Magalhaes Tavares, professor do IPPUR, casado com Marluce Tavares, com quem formou uma família com dois filhos e uma neta. De inteligência aguçada e alma humana, tinha por objeto de pesquisa o desenvolvimento econômico e social na América Latina. Sabemos como o objeto de pesquisa representa o pesquisador, ele dedicou sua vida para examinar caminhos do planejamento para o alcance de melhores condições de existência social.

Sua condição de ser humanista pode ser lida nas formas como tratava os colegas, os técnicos em educação e os estudantes, sempre sorrindo, cumprimentava e conversava com todos, sem fazer distinção. Hermes sabia separar a condição de ser indivíduo e de pertencer a um coletivo. Quando equilibrava suas práticas associadas ao exercício do espaço privado e do bem comum no espaço público.

Seu domínio sobre o texto e rigor de sua escrita, abre o caminho para começar a vida profissional como jornalista, depois vai trabalhar no Instituto Brasileiro de Administração Municipal - IBAM e na Superintendência de Desenvolvimento no Nordeste - SUDENE. O que lhe permite alcançar uma ampla experiência de trabalho associada ao planejamento do território.

Na condição de professor do IPPUR e pesquisador do CNPq, detentor de ampla cultura falava diferentes línguas, foi responsável por levar adiante relações internacionais com a França e Argentina. Desenvolveu importantes atividades de gestão, como a direção do IPPUR, participação na equipe que definiu os polos de desenvolvimento do Nordeste - (SUDENE) – 1965; exerceu a coordenaçção de Grupo dos Parques Tecnológicos da UFRJ – 2009; foi coordenador de Projeto de Intercâmbio com Universidade Nacional de Rio Cuarto, Argentina.

Na condição de sua parceira em diferentes oportunidades de trabalho, quando foi  possível compartilhar atividades de  pesquisas, dividir sala de aula e organizar publicações tive a oportunidade de conviver com ele e conhecer o seu saber cientifico e sabedoria humana. Grande professor, nos  deixou no dia 13 de setembro de 2019.

 

 Profª. Ana Cristina Araújo

Quando da minha entrada em 2011 no IPPUR, quatro pessoas tiveram uma grande atenção a minha vida profissional de professora e, na minha formação acadêmica como historiadora e geógrafa pela UFF: Ana Clara Ribeiro, Hermes Tavares, Fania Fridman e Tamara Egler. Sempre trocamos sobre ensino e sobre a academia. Com o Hermes, trocávamos também durante a militância. Foi por muitas vezes meu companheiro nas manifestações em 2013 e contra o Golpe. Nos encontrávamos na Carioca, na Cinelândia e na Candelária. Sempre com um passo sereno, um sorrisinho no rosto e encantamento de ver o IPPUR nas ruas! Essa é a imagem que fica. Um lutador amoroso! Descanse em paz!

 

Prof. Frederico Guilherme Bandeira de Araújo

Era pessoa absolutamente do bem, por sua competência acadêmica, pela postura ética e política, pela generosidade e gentileza extremas. Convivi bastante com ele. Tristeza grande.

 

Prof. Alex Ferreira Magalhães

Compartilho da tristeza pela perda do dileto Prof. Hermes. Sempre muito simpático e de bom papo, além de paciente na escuta e na fala. Foi meu professor e da comissão de minha seleção ao Doutorado. Vai deixar saudades.

 

Profª Renata Bastos

Junto-me ao pesar pela perda do Professor Hermes, ele foi o presidente da banca do meu concurso. Prof Hermes presente!

 

Prof. Ronaldo Calixto

Tristeza! Imensa perda! Gentileza e dignidade em porções generosas...

 

Prof. Marcelo Ribeiro

Tinha um carinho muito grande pelo professor Hermes, sempre muito gentil.

 

Prof. Daniel Conceição

Também me senti muito bem recebido pelo Hermes quando entrei para o IPPUR. Sempre prestativo, gentil e carinhoso... Será mais do que merecida a homenagem na Semana PUR ao brilhante e querido pensador e ativista. Camarada Hermes, presente!

 

Prof. Humberto E. P. Martins

Falar sobre o professor Hermes Tavares traz sempre uma boa lembrança e uma atmosfera reconfortante. Homem de formação acadêmica sólida, conhecimento amplo e larga experiência profissional, exercia esses atributos com absoluta tranquilidade. Professor com didatismo generoso, orientador que ouvia mais do que falava, o professor  Hermes Tavares marcou minha formação acadêmica nos anos de convivência no IPPUR. Com suas aulas e reuniões de orientação aprendi que, além de conhecimento e rigor científico, também calma e segurança podem (e devem) fazer parte do trabalho acadêmico!

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E aí, GPDES! Você sabe como funciona a COAA?

 

A COAA (Comissão de Orientação e Acompanhamento Acadêmico) é composta por docentes e representantes discentes que são responsáveis por acompanhar a vida acadêmica dos estudantes de Gestão Pública.

 

Quando devo procurar a COAA?

E se eu quiser um atendimento?

Não tô entendendo nada no meu BOA, o que eu faço?

Só pode pedir ajuda pra COAA quem está em jubilamento?

Como a COAA pode me ajudar?

 

Fiquem calmos, essa Roda de Conversa tem como principal objetivo apresentar à comunidade discente do GPDES o papel e importância da Comissão de Orientação e Acompanhamento Acadêmico. E, para isso, iremos conversar um pouco sobre essas e demais perguntas que rodeiam o tema.

 

Então, não perca! No dia 30 de setembro (segunda-feira) às 13h30! Vamos falar sobre requisitos necessários para colação de grau, quais casos são riscos de jubiliamento, quais as formas de ajuda da COAA e muitos outros assuntos fundamentais!

 

Link do evento COAA no Facebook.

 

todos pelo censo

 

Neste artigo, o profº Paulo Jannuzzi explica como o censo demográfico se tornou a principal fonte de dados para construção de indicadores sociais e formulação de políticas públicas no Brasil. A análise é uma contribuição para a campanha "Todos pelo Censo 2020!".

 

O Boletim IPPUR convidou o profº Paulo Jannuzzi, vinculado à Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, para produzir um texto que contasse a trajetória do censo demográfico brasileiro e a sua importância para a produção de indicadores que vêm subsidiando a formulação de políticas públicas no nosso país.

 

A proposta é mostrar aos nossos leitores como o Censo tem sido fundamental para o campo das públicas, e para o desenvolvimento da esfera administrativa no Brasil.

 

Além disso, a ideia é engajar o corpo docente e discente do IPPUR na Campanha "Todos pelo Censo 2020!", que consiste na mobilização contra os cortes de recursos cujo resultado será o empobrecimento do censo demográfico.

 

Leia o artigo e compartilhe com a sua rede!!

 

Censo Demográfico: mais de um século de contribuições à sociedade brasileira

Paulo Jannuzzi — Professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE. Ex-secretário de Avaliação do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

 

O Brasil seria diferente do que é hoje se não fossem as informações produzidas pelo IBGE. Com todas as iniquidades sociais que ainda persistem no país, o quadro seria seguramente muito pior sem informações estatísticas levantadas há mais de 80 anos ou quase 150 anos, se se considerar os esforços nesse sentido ao final do Império.

 

Parte das conquistas republicanas de universalização da educação básica, do acesso à água, redução da pobreza, promoção do desenvolvimento regional, ampliação da cobertura do emprego formal e da previdência pelo vasto território brasileiro, deve-se à disponibilidade de informação estatística de boa qualidade e cobertura levantada pelo IBGE.

 

O censo brasileiro é, em termos internacionais, como o mexicano, um dos mais detalhados. Isso decorre do fato de ele ser uma fonte quase que exclusiva de informação para planejamento e para formulação de políticas em âmbito local e microlocal (distritos, bairros etc.), uma vez que os cadastros e registros administrativos públicos na esfera municipal, em geral, apresentam problemas de atualização e confiabilidade, não têm cobertura espacial ou populacional muito abrangente ou ainda não dispõem de referenciamento geográfico.

 

Para se ter uma ideia do potencial informacional, vale citar que, no Censo de 2010, foram levantadas informações sobre características demográficas da população (sexo, idade, cor/raça, migração, nupcialidade, fecundidade, mortalidade), deficiências e incapacidades físicas, religião, perfil educacional, rendimentos, condição de atividade ou aposentadoria, inserção no mercado de trabalho e características dos domicílios particulares (composição material, posse de bens, cômodos, ligação de água e esgoto etc.). Refletindo a ampliação do escopo e escala das políticas sociais, o censo também passou a captar o acesso a programas sociais específicos (como o Programa Bolsa Família, além da Previdência – já presente em vários levantamento anteriores), a identidade indígena, emigração internacional, mortalidade de filhos e deslocamento para o estudo e trabalho.

 

Outros aspectos que distinguem os censos brasileiros são o volume de pessoal envolvido e a complexidade operacional do trabalho de coleta em campo, em razão do porte populacional e das dimensões continentais do país. A operação do censo envolve a contratação de cerca de duzentos mil técnicos para recensear os mais de 65 milhões de domicílios brasileiros, dispersos em mais de 5.500 municípios.

 

O pessoal recrutado precisa passar por um treinamento detalhado, para que a realização do trabalho de campo transcorra normalmente durante os três ou quatro meses previstos de coleta de dados. É uma experiência muito diferente de países menores, menos populosos, de nível educacional elevado, em que as entrevistas podem ser realizadas pelos professores da rede pública ou preenchidos pelos respondentes, depois de recebê-los pelo correio.

 

Assim, pela regularidade com que são produzidos e pelos aspectos anteriormente abordados – escopo temático, desagregabilidade geográfica, cobertura nacional, acessibilidade aos dados – os censos são a principal fonte de dados para construção de indicadores sociais cuja finalidade seja a formulação de políticas públicas no Brasil, sobretudo no âmbito municipal.

 

Na elaboração do Plano Plurianual, na atualização do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, nos diagnósticos para políticas sociais nos municípios, os Censos são insubstituíveis.

 

Em alguns países mais ricos, de população de algumas dezenas de milhões, em que a cobertura dos registros de nascimentos, casamentos, mobilidade residencial e óbitos é universal, tem-se abandonado os levantamentos censitários. Nesses países consegue-se, inclusive, constituir sistemas integrados de informações individuais e familiares, reunindo dados relativos à progressão escolar, acesso aos serviços de saúde, inserção no mercado de trabalho e recolhimento de tributos. Em tais casos, restam às pesquisas amostrais coletar informações complementares para caracterização da sociedade.

 

Países continentais, populosos ou com intensa atividade migratória requerem, contudo, mesmo que disponham de bons registros de eventos vitais e cadastros domiciliares, de pesquisas amostrais de tamanho expressivo para atender as necessidades de informações estatísticas em pequenos domínios territoriais, com maior regularidade que a proporcionada pelos levantamentos decenais.

 

É que o que se chama de censo contínuo, estratégia combinada de manutenção de base cadastral de domicílios e levantamentos amostrais robustos, tema em discussão no IBGE desde o começo dos anos 2000, com base em experiência de outros países, em especial, dos Estados Unidos e da França. A implantação do Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos (CNEFE) nos últimos dez anos é um passo nesse sentido, além de se constituir em instrumento fundamental para desenho de plano amostral das pesquisas domiciliares da instituição.

 

As Contagens de População, entre os censos demográficos, foram outras iniciativas do IBGE de atualizar informações sobre quantitativos populacionais e atualizar as projeções populacionais no país. Mas não tem tido a regularidade institucional que se esperaria desse tipo de levantamento.

 

Se as estatísticas de boa qualidade técnica, abrangentes em termos temáticos, com produção regular têm tido um papel importante na construção da trilha civilizatória brasileira nas duas últimas décadas, assim reconhecida por vários organismos internacionais, por que passaram a ser desprestigiadas com tanta frequência nos últimos tempos por parte de autoridades governamentais no país?

 

Há mesmo quem argumente que parte destas estatísticas não seriam nem mesmo necessárias ou oportunas frente às contingências orçamentárias decorrentes do baixo crescimento econômico dos últimos anos e dos efeitos da Emenda Constitucional 95/2016.

 

Desconhecimento do processo técnico de produção, da relevância instrumental e da legitimidade político-institucional das Estatísticas Públicas parece ser uma possível explicação. É o que sugere o questionamento acerca do escopo temático que estava acordado com diversos agentes públicos, movimento social, pesquisadores e equipes técnicas em muitas instituições no país para o Censo Demográfico 2020, do qual o corpo técnico do IBGE constituía-se como “memória institucional” e mediadores entre demanda e produção estatística, como em tantas outras ocasiões.

 

Quando se esperaria que a discussão pública sobre o Censo 2020 fosse tratar de quais novos temas deveriam ser levantados para atender as agendas de Políticas Públicas do século XXI inicia-se um processo de retirada de quesitos, retrocedendo o escopo investigativo para algumas décadas atrás.

 

O retrocesso só não tem sido mais intenso por conta da mobilização de diferentes atores e do apontamento dos riscos de “apagão estatístico municipal”  em temas cruciais das Políticas Públicas no país como no cálculo do Déficit Habitacional, mobilidade urbana, migrações internas, identificação dos bolsões de pobreza, dimensionamento de demanda pública por creches, para listar alguns dos mais evidentes.

 

Uma outra explicação para o desprestígio da informação estatística parece estar associada a um processo mais amplo de deslegitimação do Estado de Bem-Estar e das  Públicas, em uma intensidade maior que a vivenciada em outros periódicos da crítica liberal ao Estado, como nos anos 1980-90, com o Consenso de Washington. A emergência e  proeminência da informação midiotizada, legitimada menos por sua veracidade factual que por sua receptividade e adequação ao senso comum, é outro fator nesse sentido.

 

Os quase 150 anos dos censos demográficos brasileiros não deveriam deixar dúvidas quanto à sua importância na atualização do retrato que a sociedade tem de si e da agenda de políticas públicas que o país requer.

 

Essa radiografia da realidade socioeconômica que os levantamentos censitários têm proporcionado, de dez em dez anos, tem permitido a elaboração de estudos acadêmicos, diagnósticos para programas sociais e avaliação da efetividade das políticas públicas. A regularidade com que foram realizados e a consistência dos seus resultados têm contribuído para o dimensionamento de demandas de bens e serviços a serem alocados pelo poder público e o setor privado à população. Além disso, forneceram bases técnicas para repartição de recursos fiscais e para composição da representação política nas três esferas de governo.

 

Reduzir o escopo de investigação temática do Censo 2020, cortando perguntas no questionário, cruciais para diagnóstico socioeconômico da realidade brasileira, ou diminuindo o tamanho da mostra, inviabilizando a produção de estatísticas para os bolsões de iniquidades que temos em todas nossas cidades e campo, trará um prejuízo incomensurável para o país, muito maior que os 3,1 bilhões necessários para sua realização.

 

Enfim, se se requer que as Políticas Públicas sejam mais eficazes e efetivas, com maior eficiência, reduzir em escopo e escala o Censo Demográfico é uma decisão equivocada. A economia de recursos em 2020 gerará enormes desperdícios, imprecisão e inefetividade da ação pública nos dez anos seguintes.  Resistir ao desmonte das Políticas Públicas é também resistir ao empobrecimento temático do Censo 2020!

LOGO semanaPUR brasil

 

A Semana PUR, que acontece de 7 a 11 de outubro, vai debater o desmonte das políticas públicas no Brasil a partir de uma programação que inspira a interdisciplinaridade, base fundamental do IPPUR, refletida em quatro mesas principais: i) Neoliberalismo e Políticas Públicas; ii) Os 50 anos do IPPUR e a consolidação do campo do Planejamento Urbano e Regional; iii) Neoliberalismo, Violência e Espaços de Segregação Racial; e o iv) O desmonte das políticas de planejamento no Brasil.

 

XXV SEMANA PUR em números

por Nathália Azevedo

Frente às recentes propostas de mudanças nas políticas federais de habitação, saneamento, meio ambiente, desenvolvimento regional, bem como a alteração na produção de indicadores por parte do Governo Federal e a extinção ou alteração da composição dos conselhos federais de políticas públicas, a XXV Semana de Planejamento Urbano e Regional - 2019, propõe como tema norteador “A inflexão ultraliberal e o desmonte das políticas públicas no Brasil”. 

 

A retomada do projeto neoliberal na América Latina e o desmonte de políticas públicas consolidadas nos últimos 20 anos buscam como resultado a redução dos gastos estatais e o avanço da privatização e da concessão de serviços públicos, embasados pela ideologia liberal que sustenta que o mercado pode ser o melhor regulador das relações sociais, levando a uma pretensa eficiência dos serviços. Esse projeto é considerado, de certo ponto de vista, uma inflexão em relação ao modelo de política urbana que vinha sendo implementado no Brasil e em outros países da América Latina por governos e esquerda ou centro-esquerda nos últimos anos.

 

Entre os dias 07 a 11 de Outubro de 2019 na Cidade Universitária, na Ilha do Fundão receberemos pesquisadores, gestores públicos e representantes da Sociedade Civil.

 

A programação inspira a interdisciplinaridade, base fundamental do IPPUR, e reflete na temática das inflexões ao desmonte, em quatro mesas principais: Neoliberalismo e Políticas Públicas; Os 50 anos do IPPUR e a consolidação do campo do Planejamento Urbano e Regional; Neoliberalismo, Violência e Espaços de Segregação Racial; e o O desmonte das políticas de planejamento no Brasil.

 

A mesa dos 50 anos será uma homenagem aos professores aposentados que fazem e sempre farão a diferença na construção do campo do Planejamento Urbano e Regional no Brasil.

 

Dentre eles:

 

Luciana Lago (Professora do IPPUR/UFRJ - Professora do NIDES/UFRJ)

Carlos Vainer (Professor do IPPUR/UFRJ)

Rainer Randolph (Professor do IPPUR/UFRJ)

Tamara Egler (Professora do IPPUR/UFRJ)

Jorge Natal (Professor do IPPUR/UFRJ)

Maria Julieta (Professora do IPPUR/UFRJ)

Hermes Magalhães Tavares (Professor Colaborador Voluntário in memorian

 

Nesta edição tivemos 105 trabalhos aprovados para as seguintes modalidades de apresentação: oral, pôster, fotografia e vídeo. Mais de 70% dos trabalhos são oriundos da produção acadêmica e das pesquisas dos estudantes do Instituto desde à graduação ao doutorado. 

 

Dentre os trabalhos recebidos 54,4% estão vinculados aos laboratórios do IPPUR. Na modalidade oral serão 14 sessões sessões temáticas, nas quais teremos 81 trabalhos que versam com a temática. 

 

Um diferencial dessa edição serão as sessões livres, que consiste em um espaço de apresentação das pesquisas e dos projetos de extensão, desenvolvidos pelos laboratórios e representações do corpo social do IPPUR.  Serão 11 sessões livres desdobradas em rodas de diálogos e intervenções, das temáticas da cidade, movimentos sociais ao papel do gestor público. Tais sessões ajudarão na construção da identidade do corpo social do IPPUR para as futuras ações do Instituto.

 

Já recebemos 30 inscrições para voluntários nas áreas de comunicação, logística e acadêmico, que estarão abertas até o dia 25/09 pelo link: https://forms.gle/Fs3QQxefnbTEEqBbA

 

As inscrições de ouvintes já estão abertas pelo link: https://forms.gle/RkrswMqjnLzrbkCp9 

Venha pensar e construir os novo rumos do Planejamento Urbano e Regional frente à  inflexão ultraliberal e o desmonte das políticas públicas no Brasil.

 

Programação e mais informações: http://www.ippur.ufrj.br/index.php/pt-br/semana-pur-2019

 

enecap credito SURPI

                                                                       18º ENECAP - crédito da foto SURPI

 

Durante o 18º ENECAP, as estudantes Isabela Sabbatino e Ana Accacio, do GPDES/IPPUR, receberam o terceiro lugar do Prêmio Lice, oferecido aos melhores artigos sobre Administração Pública produzidos por estudantes de todo o Brasil.

Isabela Sabbatino e Ana Accacio receberam a premiação pelo trabalho intitulado: “Perspectivas da Base Nacional Comum Curricular e seus impactos na sociedade”.

Para o IPPUR, o prêmio representa uma vitória do trabalho feito pela comunidade docente e discente a fim de desenvolver pesquisas relevantes na área da administração pública.

O 18º ENECAP é o maior evento estudantil do chamado Campo de Públicas, e nessa edição ficou ainda maior por contar com a participação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Segundo informações do site do PNUD, o ENECAP está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente ao ODS 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes, que trata, entre outros aspectos, do fortalecimento do Estado de Direito e da governança nacionais.

“O PNUD acha importante acompanhar o debate e contribuir nas discussões sobre administração pública, especialmente de jovens estudantes que, um dia, poderão assumir papéis-chave na condução das políticas públicas do país”, disse o coordenador de comunicação do PNUD, Luciano Milhomem, presente no debate “Mídia e Política”.

A seguir apresentamos o texto de Thiago Guain Teixeira, aluno do 9º período do GPDES, que colabora nesta edição com o Boletim IPPUR.

 

18º ENECAP — Arenas Públicas: conexões e espaços em disputa

 

O Encontro Nacional de Estudantes do Campo de Públicas (ENECAP) que acontece anualmente desde 2002 é o maior evento estudantil do chamado Campo de Públicas, campo onde se agrupam cursos como: Políticas Públicas, Gestão Pública, Gestão Social, Gestão de Políticas Públicas, Administração Pública, Ciências do Estado entre outros.

Os estudantes de Gestão Pública para o Desenvolvimento Econômico e Social (GPDES), graduação ligada ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), historicamente constroem e participam dos espaços de debate e planejamento das ações do campo de públicas no Rio de Janeiro e no Brasil. 

O encontro se destaca por reunir estudantes, egressos, professores, pesquisadores e profissionais da área, comprometidos com a construção de um setor público democrático e profissionalizado. Em 2019 o centro acadêmico de Gestão Pública (CAGesP) mobilizou mais de 50 estudantes para ida ao encontro. Partiram dia 4 de setembro, da Faculdade de Letras, o grupo de estudantes rumo a Brasília, capital do país e sede do Encontro do Campo de Públicas neste ano.

A temática central do ENECAP em 2019 foi: “Arenas Públicas: conexões e espaços em disputa”. A ideia se construiu academicamente a partir de ideias do sociólogo francês Daniel Ceffaï. Para o autor, as arenas públicas podem ser compreendidas como espaços sociais que contêm um problema público. Dentro dessa arena, há diversos atores, agindo e interagindo com o problema.

A proposta do evento é criar novos espaços de troca e de construção de conhecimentos coletivos e individuais, nos quais os atores debatem ideias e soluções para a melhoria da sociedade brasileira e suas interfaces com as políticas públicas, assim como pensar, discutir e propor soluções para a qualificação e planejamento das ações públicas, que serão tomadas por muitos egressos e egressas do campo de públicas.

A experiência dos alunos e alunas recém chegados à universidade é de grande aprendizado pedagógico, na medida que proporciona um primeiro contato com outros estudantes de outras regiões do país, todos preocupados com a arena pública, advindos que cursos do campo de públicas. O intercâmbio cultural entre estudantes, professores, profissionais é um espaço rico e cheio de conhecimentos.

Ao final do evento ocorreu a premiação do ‘Prêmio Lice’. O Prêmio Lice é oferecido anualmente aos autores dos melhores artigos científicos em temas de Administração Pública entre estudantes de todo o Brasil. 

Neste ano as alunas Isabela Sabbatino e Ana Accacio, do 6º período do GPDES/IPPUR, receberam o terceiro lugar da premiação, com trabalho intitulado: “Perspectivas da Base Nacional Comum Curricular e seus impactos na sociedade”.

Para saber mais informações sobre o evento ou sobre o campo de públicas você pode acessar o site do evento (http://www.enecapdf.com.br/), a matéria da ONU sobre o evento (ao final do texto), ou acessar o site da Federação Nacional dos estudantes do Campo de Públicas (www.fenecap.com.br).

 

Reportagem PNUD

UFRJ IPPUR - UFRJ
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